A criança que matou a sede na lágrima do anjo

A criança que matou a sede na lágrima do anjo Antônio Benedito Nicodemo


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A criança que matou a sede na lágrima do anjo


Contos




Acompanho o trabalho do Antônio desde 2004, quando, fascinada pela sua escrita (e apaixonados por Nelson Rodrigues e seus enredos, no ápice da juventude), grudei ao lado dele pra entender um pouco mais sobre essa mente tão ávida por histórias. Lhe interessava os causos de família, as conversas dos estranhos no transporte público, as ladainhas familiares. Tudo foi e é material, que, com o passar dos anos e sua pesquisa incansável sobre os ritos e crenças da cultura brasileira, foi gradualmente transmutado para o fantástico; o belo nas minúcias sempre foi o forte do seu trabalho literário, seja no teatro, seja na literatura “civil”.

Nicodemo escreveu para o nosso grupo de teatro, o Teatro da Neura, desde a sua fundação em 2004. Um apaixonado pela arte marginal, descobrimos juntos mais de uma vez o prazer de ver um grupo profissional dar vida aos nossos textos. Ver suas palavras irem desabrochando com o passar dos anos em paralelo com a intensidade de sua investigação: a cultura popular da rua e seus encantados, os festejos religiosos, o carnaval e suas facetas, finalmente trazendo a alegoria para seus escritos. Os textos de Antônio refletem hoje o artista que ele está se tornando (já que a formação do artista é eterna).

Neste livro de contos que toma forma ao mundo, todas as figuras que povoam o universo fantástico do escritor estão apresentadas. Muitos leitores terão acesso pela primeira vez a essas personagens, que subvertem e papeiam com o tempo que passa, que cultivam o sagrado em todos os lugares. A memória dos nossos que se foram que está presente na pele e na transmissão cultural, retratada de forma tão delicada e simbólica. É impossível não enxergar nossas avós e bisavós, tias matronas e nossas mães nas mulheres escritas nessas histórias. Eu me vejo nelas, assim como via muitas dos causos familiares nas personagens escritas por ele que tive o prazer de interpretar nesses vinte anos de amizade.

É uma imensa alegria dividir o talento de Antônio com cada leitor, uma imaginação bela e gigante demais para ser retratada apenas nos duros caminhos da produção teatral. Sua escrita cabe em todos os lugares e em todos os olhares cuidadosos de quem é provocado pelo novo, ao mesmo tempo em que continua apreciando essa poesia fantástica que resiste em meio ao caos da realidade.

(>i)Tuane Vieira,
Artista e psicóloga clínica.

Contos / Literatura Brasileira

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@wesleisalgado
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07/12/2023 09:23:40

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